Choque energético e atrito EUA-China obscurecem as perspectivas do mercado asiático

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O cenário macroeconómico da Ásia está a ser atingido por uma combinação mais difícil de riscos geopolíticos, uma confiança mais fraca na diplomacia EUA-China e uma preocupação renovada com a segurança energética. Os mercados reagiram depois de Wall Street ter vendido a desilusão em torno da reunião dos líderes EUA-China, enquanto o conflito envolvendo o Irão manteve a pressão sobre o petróleo e as expectativas de inflação global. Ao mesmo tempo, novas medidas para expandir as exportações de petróleo do Canadá para a Ásia destacam a forma como as economias da região estão a tentar diversificar a oferta e reduzir a vulnerabilidade a choques.

A principal conclusão macroeconómica é que a Ásia enfrenta um ambiente externo mais difícil, uma vez que o conflito geopolítico e as relações tensas entre as grandes potências contribuem directamente para os custos da energia, o sentimento do mercado e as expectativas comerciais. Essa combinação está a aumentar o risco de um crescimento mais lento, juntamente com uma inflação mais rígida.

Um tema central é o estado incerto dos laços EUA-China. A reportagem do South China Morning Post sobre a visita de Donald Trump à China enquadra a reunião contra a perturbação da guerra EUA-Irão e a nova tensão nas relações Washington-Pequim, enquanto a NHK informou que o Dow Jones caiu 537 pontos em 15 de Junho, à medida que a desilusão com a cimeira EUA-China e a preocupação com o Irão se espalhavam pelos mercados.

Isto é importante para a Ásia porque a menor confiança na diplomacia de alto nível pode pesar sobre o comércio, o investimento e o planeamento empresarial em toda a região. Se as empresas duvidarem que as tensões entre os EUA e a China irão diminuir, as decisões sobre a diversificação da cadeia de abastecimento e as despesas de capital deverão permanecer cautelosas, em vez de voltarem-se decisivamente para a China.

A segurança energética é o segundo tema principal. Com as perturbações relacionadas com o Irão a perturbar o abastecimento global, a mudança do Canadá em direcção a um novo oleoduto destinado aos mercados asiáticos mostra que tanto os exportadores como os importadores estão a posicionar-se para um mundo em que a procura asiática permanece estratégica e o acesso diversificado ao petróleo bruto se torna mais valioso.

A extensão do cessar-fogo Líbano-Israel oferece algum alívio, mas novos ataques sublinham o quão frágil a situação permanece em todo o Médio Oriente. Para a Ásia, o significado mais amplo é claro: o conflito persistente pode manter elevados os riscos petrolíferos e marítimos, complicando o controlo da inflação, estreitando o espaço para uma política monetária mais fácil e mantendo os mercados sensíveis a todas as mudanças na geopolítica.

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