As esperanças do fim do jogo na Ucrânia e a mudança política na Europa reformulam as perspectivas de risco externo da Ásia

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O principal sinal macro para a Ásia é uma tentativa de redução de alguns riscos externos, mesmo que a instabilidade política nas principais economias mantenha frágil o cenário global. Os comentários sobre os laços EUA-China, os sinais de que a guerra na Ucrânia pode estar a chegar ao fim e as mudanças políticas na Europa apontam para uma economia mundial ainda impulsionada tanto pela geopolítica como pela procura e pelos preços. As perturbações na saúde e nos transportes no Reino Unido e nos EUA acrescentam um lembrete de que os choques não económicos ainda podem repercutir na actividade e no sentimento.

Para a Ásia, a conclusão dominante é que as macrocondições globais permanecem reféns da geopolítica, mas alguns dos riscos mais agudos podem estar a mudar em vez de simplesmente se intensificarem. Os mercados e os decisores políticos da região interpretarão qualquer indício de uma desescalada na Ucrânia, e qualquer mudança na liderança política ocidental, através da lente dos fluxos comerciais, dos custos de energia e da procura externa.

Um comentário do South China Morning Post argumentou que a China deveria agir como uma potência construtiva nas relações com os Estados Unidos, enquadrando a política externa como um teste de previsão estratégica e não como um confronto episódico. Isto é importante para a Ásia porque uma relação mais estável entre os EUA e a China reduziria a pressão sobre as cadeias de abastecimento, as decisões de despesas de capital e o planeamento regional das exportações.

Ao mesmo tempo, a observação de Vladimir Putin de que o conflito na Ucrânia pode estar a chegar ao fim aponta para um possível ponto de inflexão numa das maiores fontes mundiais de riscos de mercadorias e de segurança. Mesmo sem uma solução clara, qualquer abrandamento sustentado da guerra poderia reduzir a volatilidade energética e melhorar as perspectivas para a procura europeia, o que teria um efeito positivo nos sectores industrial e comercial da Ásia.

A imagem política da Europa também está a mudar. Na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro Keir Starmer enfrenta um desafio de liderança após um forte revés nas eleições locais, enquanto na Hungria Peter Magyar tomou posse como primeiro-ministro, pondo fim ao longo governo de Viktor Orban. Para os investidores e exportadores asiáticos, isto sugere que a Europa poderá entrar num período de recalibração política, numa altura em que o crescimento permanece fraco e a coesão política está sob pressão.

Outras manchetes sublinham a rapidez com que ainda podem surgir perturbações operacionais. As autoridades do Reino Unido estão a preparar-se para isolar os passageiros de um navio de cruzeiro atingido pelo hantavírus, e um incidente fatal na pista envolvendo um avião da Frontier Airlines em Denver destaca os riscos de transporte contínuos. Estes acontecimentos não são, por si só, factores macroeconómicos fundamentais, mas reforçam um ponto mais amplo: o crescimento, a inflação, a política e os mercados em toda a Ásia continuam sensíveis a choques geopolíticos, eventos de saúde e perturbações que podem alterar o sentimento, as viagens, a logística e os preços sem aviso prévio.

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