Choques petrolíferos, perturbações fronteiriças e reembolsos tarifários obscurecem as perspetivas macroeconómicas da Europa

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O cenário macroeconómico da Europa está a ser moldado por um novo choque nos preços da energia, novas distorções comerciais e fricções nos transportes nas suas fronteiras. Um salto no petróleo após novas reivindicações relacionadas com o Irão, questões sobre o repasse de reembolsos tarifários nos EUA e perturbações aeroportuárias ligadas às novas regras fronteiriças europeias apontam para um ambiente operacional mais frágil para empresas e consumidores. As manchetes corporativas da Apple e da Blue Origin contribuem para o quadro mais amplo de mudança de liderança e de confiança empresarial desigual.

A principal conclusão para a Europa é que os choques externos estão novamente a testar um equilíbrio já delicado entre o crescimento fraco e o risco persistente de inflação. O aumento dos preços do petróleo e os novos sinais de perturbação do comércio e dos transportes complicam as perspectivas para as famílias, as empresas e os decisores políticos em toda a região.

Os mercados de energia subiram depois de Donald Trump ter dito que um navio iraniano tinha sido apreendido, ampliando a volatilidade observada desde que os EUA e Israel atacaram o Irão em 28 de Fevereiro. Para a Europa, qualquer aumento sustentado do petróleo iria reflectir-se directamente nos custos da energia, nas facturas dos transportes e nas expectativas de inflação, numa altura em que a procura permanece fraca.

A política comercial continua a ser outra fonte de distorção. Os reembolsos de tarifas Trump estão a começar através de um portal que deverá lidar com 160 mil milhões de dólares em reembolsos, mas é pouco provável que os consumidores vejam muitos benefícios se as empresas retiverem os ganhos ou os utilizarem para reparar margens, limitando qualquer efeito desinflacionista da medida.

A interrupção operacional também está aparecendo mais perto de casa. Outro voo deixou passageiros para trás devido a atrasos nas fronteiras associados às novas regras de entrada na Europa, sublinhando como os estrangulamentos administrativos podem pesar sobre o turismo, as viagens de negócios e a eficiência aeroportuária durante um período em que a actividade de serviços é importante para o mix de crescimento da Europa.

As notícias corporativas acrescentaram uma camada separada de incerteza e transição. A Apple nomeou John Ternus para substituir Tim Cook como presidente-executivo, com Cook se tornando presidente executivo, enquanto a Blue Origin aterrou um foguete após um acidente de satélite, e uma investigação da BBC apontou para padrões comerciais suspeitos em torno das manchetes da guerra no Irã e das declarações presidenciais.

No seu conjunto, estes desenvolvimentos são importantes porque combinam riscos ascendentes para a inflação com novos ventos contrários para a actividade e a confiança. Esta combinação é incómoda para os decisores políticos e para os mercados europeus: preços mais fortes da energia podem atrasar a flexibilização das expectativas, enquanto as fricções fronteiriças e a repercussão mais suave das alterações comerciais para os consumidores ainda podem restringir o crescimento.

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